Seguramente as obras deste artista pampeano representam um dos mais importantes registros da história, da literatura, do relevo, da vegetação, do costume, da simplicidade e do cotidiano pampeano.
Os “retratos” do Berega por mais de uma década estiveram emoldurando os calendários da empresa de combustíveis Ipiranga, fazendo deste uma forte representação enraizada no elemento sul-riograndense. Lembra-se ainda, que o artista não só para esta empresa desenhava e produzia, o uruguaianense Berega, tem uma gama de trabalhos que estavam também calçado nos animais do pampa, cavalos, ovinos, cachorros, bovinos etc.
Mas o que me chama mesmo atenção são os elementos cotidianos gauchos que representam uma forte singularidade palpável de ser visualizada enquanto objeto artístico regional. Ainda me lembro da época de criança quando meu tio trabalhava nessa empresa e volta e meia tínhamos esses calendários, que na verdade tinham uma forma de obra artística, haja vista o teor de embelezamento registrado nos desenhos. Ainda hoje tenho um desenho desse calendário representando uma tropilha de cavalos, pena que na minha juventude não entendia a real riqueza do trabalho.
O seu trabalho relembra o grande Molina Campos por ter esse aspecto iconográfico calçado no homem rural do pampa, no sentido de que há muito a ser discutido interpretado e desenvolvido no aspecto visual sobre este tema. As cores, as performances, as expressões e mais vários e vários detalhes nos mostram um pouco do trabalho desse grande artista plástico gaúcho.

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