Quando o cacique Vaimaca Perú grita (segundo a memória histórica nacional) ao Presidente Fructuoso Rivera “Mirá frutos tu soldados matando amigos” demonstração clara da traição que se efetuava naquele ataque. O massacre de Salsipuedes em 11 de abril de 1831, representa um evento histórico de extrema importância para entender um pouco da forma em que os articuladores políticos lidaram e tentaram desenvolver com os grupos indígenas, o que parece ainda não compreendido pelas autoridades. A articulação dos estancieiros, caudilhos e afins, conjunto com as autoridades e exército oriental se configuram numa verdadeira falange branca patriótica( já explicita e discutida na obra de Sarmiento – Facundo Quiroga-) porém seria necessário ir mais além do que é exposto de forma “mais” oficial, a partir do momento que questionadores do passado apontam para outros atores históricos. A internacionalização do massacre de Salsipuedes pode ser denotada ao verificamos a participação de determinados agentes como as tropas do caudilho unitário argentino Juan Lavalle e do Coronel Imperial do Brasil José Rodrigues Barbosa. O sentimento de traição exposto nas palavras de Vaimaca é notório no sentido da história identificar a participação dos Charruas no processo de luta pela república, aliados de Artigas, o próprio Fructuoso Rivera teria uma boa relação com os Charruas, ainda que na sua carta escrita no jornal do Rio de Janeiro, Irís em 1948, expõe uma série de impossibilidades já inaceitáveis para a nação uruguaia. Ainda que se denote uma “limpeza” no campo cisplatino, Rivera deixa claro na “campanha revolucionária” que se iniciara em 1810 com o começo dos movimentos pela luta da independência, mas compreende (na sua argumentação) que as ações bélicas não se cessam por aí e se estende e mantém com o ataque de 1831 uma continuação da formação da nação uruguaia. Se não bastasse a traição no campo de Passo del Tihatucura del Salsipuedes, os ataque se estendem passando por Mataojos e culminado em 1834 na Batalha do Yaaro, na qual foram expulsos os seguidores de Manuel Lavallaje para o Brasil, já que tinham posições políticas contrarias a de Rivera.Contudo o que leva a Fructuoso Rivera questionar o fato de ter ocorrido uma traição, mas sim a última cartada de “diálogo” para com uma sociedade já não mais aceita dentro dos limites uruguaios, não tinha mais como aceitar aqueles “selvagens” ladrões e assassinos, seria necessário salvar a população. E mais além, nem seus inimigos teriam a honra de lutar junto com o povo Charrua, no qual o extermínio seria benéfico não só aos orientais, mas também ao Brasil. Pero ocorre ao escrever a sua história, ou melhor sua defesa, um forte refutamento principalmente a partir da carta do Brigadeiro General Don Antonio Felipe Díaz, publicado no Diário El Defensor de la Independencia Americana, no dezembro do mesmo ano. Se o sentimento inicial da tentativa era a submissão total ou o extermínio do grupo, isso fica claro ao contato feito entre as lideranças. Havia um sentido de diálogo e um acordo a ser firmado concessões e promessas supostamente colocadas, a comilança e beberagem se fizeram presente, perante ao interesse oculto dos dirigentes orientais. Ficaria fácil o genocídio posterior mediante uma contrariedade como resposta. Pois fora o ocorrido e consequentemente aprisionamento de crianças e mulheres para trabalhar em casas de famílias e estâncias em Montividéu e outras cidades, sem falar no famoso fato ocorrido de 1833 ao serem levados a França quatro Charruas ao zoológico humano, para serem expostos para os curiosos “civilizados” da Europa. Ainda que alguns dos cerca de 400 Charruas conseguiram escapar da emboscada civil-governamental era nítido que a ideia era exterminar a “selvageria” dos campos orientais, ficando ao já participante e primo de Fructuoso Rivera, Cel. Barnabé Rivera a incumbência dos demais ataques, ainda que sofrera entre as emboscadas governamentais um sequestro que posteriormente veio a ocorrer sua morte. A partir dessa ação exposta pelo governo e produtores de gado do Uruguai, que na realidade era é o mesmo sentimento no Rio Grande do Sul, a história demonstra apenas um ato corriqueiro dentro dos interesses e sentimentos dos dominantes de determinada pátria. O que chama a atenção é a tentativa de aproximação à dita identidade guerreira do Charrua, chega a ser cômico os uruguaios, a sua seleção desportiva se intitular de Charrua, de alma Charrua. Mas não só estes, folcloristas, pampeanos, habitantes da campanha, até mesmo serranos e catarinenses do folclore (haja vista também o fato curioso de uma marca de erva mate catarinense ter o nome desse povo). Bueno, não quero dizer se é errado ou é certo também não ouso contar a história desse povo, há uma historiografia cisplatina muito forte para isso. Mas será que estes tem um real sentimento do povo Charrua ou é marketing exótico, algo que penso ser bem diferente do que vive a realidade essa população remanescente Charrua na Comunidade do Polidoro na Lomba do Pinheiro, simbolismo da resistência e luta de um povo que insiste em viver perante uma sociedade não indígena com sentimentos remanescente de Rivera.

Concordo com os pensamentos, nasci no Brasil más moro no Uruguay. Sou filho de mãe uruguaia afrodescendente e meu avó materno é de linhagem charrúa direta.
ResponderExcluirFui alfabetizado no pais vizinho, e fico surpreso, pois é ensinado nas escolas a linhagem uruguaia, sob os grandes charrúas. Porém, esse fato histórico lhes é omitido.
Como Folclorista e Pesquisador, hoje sei da verdadeira história e de tudo o que se passou por lá. Ainda hoje leio e peso os dois lados da moeda, para formar a minha ideia dos motivos que levaram a esse terrível genocídio.
Forte abraço!!!!
Luis Felipe Padilha Soares.Folclorista e Pesquisador - Comitê Estadual de Indumentárias/MTG-RS.
E-MAIL: feli91@LIVE.com